Antártida

Rádio de ondas curtas

Três gerações no gelo

Já faz algumas décadas que a tecnologia de ondas curtas da Rohde & Schwarz é responsável por garantir as comunicações entre as estações italianas de pesquisa na Antártida e seus lares.

Longe da civilização, há apenas duas opções para comunicações de longa distância: satélite ou rádio de ondas curtas. Os telefones modernos via satélite têm aproximadamente o mesmo tamanho de um celular. Eles representam a única opção para operação móvel em áreas remotas.

No entanto, para operações estacionárias em locais com energia elétrica, existe uma alternativa viável: rádio de ondas curtas. Os benefícios incluem a ausência de cobrança por conexão, liberdade da infraestrutura e disponibilidade 24 horas.

É claro que, em um ambiente hostil longe da civilização, não será uma estratégia ruim usar as duas opções para ter uma alternativa à disposição. Essa é exatamente a política usada nas duas estações na Antártida operadas pelo governo italiano. Quando há sinal de satélite, o que não acontece nas regiões polares todas as horas do dia, a opção via satélite é usada. Caso contrário, um rádio de ondas curtas é usado como alternativa – com base na tecnologia da Rohde & Schwarz.

Trinta anos depois, tão confiável como no primeiro dia: o transceptor R&S®XK859C1 de 1 kW na Estação de Pesquisa Mario Zucchelli.
Trinta anos depois, tão confiável como no primeiro dia: o transceptor R&S®XK859C1 de 1 kW na Estação de Pesquisa Mario Zucchelli.

A ENEA conta com dispositivo profissional

Em 1988, a Agência Nacional Italiana de Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (ENEA) equipou a Estação de Pesquisa Mario Zucchelli na Antártida, localizada na Baía Terra Nova (Mar de Ross) com a tecnologia de ondas curtas da Rohde & Schwarz. A ENEA adquiriu um transceptor R&S®XK859C1 de 1 kW, um transceptor R&S®XK852C1 de 150 W e um receptor R&S®EK890 – os produtos mais modernos da época.

Depois dessa experiência positiva com a tecnologia, a Base Concordia, operada em parceria com a França, foi montada de maneira semelhante 14 anos mais tarde, com os dispositivos de ondas curtas da Rohde & Schwarz. Inicialmente em operação apenas durante os meses de verão, a base foi equipada com os transceptores R&S®XK852C1 e R&S®XK2100L (cada um deles com 150 W). No início de 2019, houve a adição de um transceptor de 1 kW da família M3SR®Series4100.

Os rádios de ondas curtas da família M3SR®Series4100 também são encontrados na sala de rádio de um navio ou em uma base costeira, onde cobrem comunicações navio-para-navio e navio-para-costa de longo curso.
Os rádios de ondas curtas da família M3SR®Series4100 também são encontrados na sala de rádio de um navio ou em uma base costeira, onde cobrem comunicações navio-para-navio e navio-para-costa de longo curso.

Rádios de ondas curtas proporcionam independência

Os produtos de rádio amador também foram testados durante esse período, mas foram vítimas das condições climáticas locais, onde a temperatura média é de –54,5 °C. Por outro lado, a tecnologia de rádio da Rohde & Schwarz – desenvolvida para o exército e a marinha de acordo com os padrões militares exigentes – não se entrega aos perigos do ambiente com tanta facilidade.

Embora os rádios de ondas curtas ainda tenham certo apelo romântico, a tecnologia de rádio moderna opera em um plano completamente diferente. Aquilo que já exigiu uma experiência significativa da parte do operador de rádio ‒ uma vez que o desempenho das ondas curtas é altamente dependente das condições atmosféricas ‒ é administrado agora pelo processador de rádio para garantir, automaticamente, um link de rádio ideal.

Formas de ondas digitais para transmissão de voz e dados também podem ser adaptadas ao meio. Apenas a velocidade de transmissão fica sujeita às limitações físicas relacionadas à pequena largura de banda disponível. Formas de ondas avançadas permitem uma taxa de aproximadamente 20 kbit/s. As ondas curtas são o único meio que pode ser usado para estabelecer conexões internacionais de ponto a ponto sem estações de repetidor.

A Estação de Pesquisa Ítalo-Francesa Concordia é habitada durante o ano todo desde 2005.
A Estação de Pesquisa Ítalo-Francesa Concordia é habitada durante o ano todo desde 2005.

A confiabilidade da previsão climática se tornou mais urgente do que nunca

A Base Concordia fica 3.233 metros acima do nível do mar no Planalto Antártico, em um lugar conhecido como Dome Concordia (Dome C). A base é administrada em conjunto pelos programas polares francês e italiano. Juntamente com a Estação Vostok da Rússia e a Estação Pólo Sul Amundsen-Scott dos Estados Unidos, ela é a terceira estação de pesquisa na Antártida a ser constantemente habitada.

Nos anos 1990, a Dome C foi selecionada pelo European Project for Ice Coring in Antarctica (EPICA) como parte dos esforços para encontrar o gelo mais antigo da Terra. O objetivo era reconstruir o histórico climático da Terra e melhorar a capacidade de previsão de futuros desenvolvimentos climáticos.

Um núcleo perfurado de uma profundidade de 2.775 metros (projeto EPICA).
Um núcleo perfurado de uma profundidade de 2.775 metros (projeto EPICA).

Em busca do gelo antigo

As perfurações realizadas de 1996 até o final de 2004 atingiram uma profundidade de 3.270 metros, ou seja, apenas alguns metros de distância do leito de rocha. A amostra do gelo mais antigo obtida tem cerca de 800 mil anos.

No entanto, com base na análise do arquivo geológico, sabemos que antes da denominada transição do Pleistoceno Médio (isto é, imediatamente antes, em uma linha do tempo geológica), eras frias (glaciais) e quentes (interglaciais) se alternaram a cada 40 mil anos. Depois disso, o período de alternância aumentou para cerca de 100 mil anos.

O motivo dessa mudança é desconhecido e, por isso, representa um tópico de pesquisa atual para os cientistas da Concordia, inclusive para os representantes do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha, em Bremerhaven. As amostras de rochas não trazem qualquer dica, uma vez que elas não contêm nenhum resíduo de gases. Consequentemente, é necessário se aprofundar no gelo, cronologicamente falando.

Veículos de travessia em sua jornada da base Concordia até o local de perfuração na Little Dome C. British Antarctic Survey, Robert Mulvaney.
Veículos de travessia em sua jornada da base Concordia até o local de perfuração na Little Dome C. British Antarctic Survey, Robert Mulvaney.

Localização da área de pesquisa

Encontrar locais adequados para perfuração foi o marco da primeira etapa da missão de acompanhamento da EPICA, "Beyond EPICA – Oldest Ice (BE-OI)". Os pesquisadora agora esperam encontrar aquilo que estão buscando. A apenas cerca de 40 km da estação, uma área com diâmetro de 3 km foi identificada. A perfuração só terá início em 2021 e, inicialmente, será limitada a uma profundidade de 100 m, a fim de testar a tecnologia.

No entanto, até 2024/2025, a meta é penetrar completamente o manto de gelo no local da perfuração, que tem uma profundidade de 2.750 m. Em seguida, terá início o processo de avaliação, que exigirá mais um ano. Além da equipe europeia com seu projeto BE-OI nas proximidades da Dome C, outras equipes também estão trabalhando para ultrapassar a marca de 1 milhão de anos, entre elas os japoneses na Dome Fuji e os chineses na Dome A. A iniciativa International Partnerships in Ice Core Sciences (IPICS) foi formada para incentivar uma competição amigável nessa corrida.

História corporativa da Rohde & Schwarz no Antártico

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